Cookies de terceiros em 2026: o que aconteceu com o Chrome e o Privacy Sandbox e o que muda para publishers
Depois de anos de adiamentos, o Chrome manteve os cookies de terceiros e o Google aposentou as APIs do Privacy Sandbox. Veja o que aconteceu, o que continua valendo e como o publisher deve se preparar.

Resposta rápidaEm 2026, os cookies de terceiros continuam funcionando no Google Chrome. O Google desistiu de eliminá-los em julho de 2024, abandonou em abril de 2025 a ideia de um aviso de escolha para os usuários e, em outubro de 2025, anunciou a aposentadoria da maior parte das APIs do Privacy Sandbox, como Topics e Protected Audience. Mas o Safari e o Firefox já bloqueiam cookies de terceiros por padrão, e as leis de privacidade, como a LGPD, continuam exigindo consentimento. Para o publisher, a estratégia certa segue sendo investir em dados próprios (first-party data) e identidade autenticada.
Poucos temas geraram tanta ansiedade no mercado de mídia digital quanto o “fim dos cookies de terceiros”. Durante cinco anos, publishers, anunciantes e empresas de tecnologia se prepararam para um mundo sem eles no Chrome, o navegador mais usado do planeta. O Google criou o Privacy Sandbox, um conjunto de tecnologias para substituir os cookies, adiou o prazo várias vezes e, no fim, mudou de ideia.
Neste artigo eu organizo a linha do tempo, explico o que mudou e o que continua valendo, e mostro por que a estratégia de dados do publisher não deve voltar para trás.

O que são cookies de terceiros
Cookies são pequenos arquivos que o navegador guarda. Os cookies primários (first-party) são criados pelo próprio site que você visita: lembram login, carrinho e preferências. Os cookies de terceiros são criados por outros domínios presentes na página, como plataformas de anúncios e de medição, e permitem acompanhar o usuário entre sites diferentes.
Na mídia programática, os cookies de terceiros sustentam segmentação por interesse, retargeting, limite de frequência e medição de conversões. Eles são parte do motivo pelo qual uma impressão identificada vale mais no leilão em tempo real.
A linha do tempo do fim que não aconteceu
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| 2020 | O Google anuncia que vai eliminar cookies de terceiros no Chrome em até dois anos |
| 2021 a 2023 | Prazos adiados várias vezes; o Privacy Sandbox ganha APIs como Topics e Protected Audience |
| Janeiro de 2024 | Chrome restringe cookies de terceiros para 1% dos usuários, em teste |
| Julho de 2024 | Google desiste de eliminar os cookies e propõe uma escolha para o usuário |
| Abril de 2025 | Google desiste também do aviso de escolha e mantém o modelo atual |
| Outubro de 2025 | Google anuncia a aposentadoria da maior parte das APIs do Privacy Sandbox |
O movimento foi influenciado pela análise de órgãos reguladores, como a autoridade de concorrência do Reino Unido, pela baixa adoção das novas APIs pelo mercado e pelo receio de concentrar ainda mais poder no Google.
O que foi aposentado e o que continua
Entre as tecnologias aposentadas estão APIs muito discutidas, como Topics (segmentação por interesses calculada no navegador), Protected Audience (remarketing sem cookies) e Attribution Reporting (medição de conversões). Algumas tecnologias com uso mais amplo na web continuam, como o CHIPS (cookies particionados) e o FedCM (login federado).
Na prática, para o publisher, o cenário em 2026 é: cookies de terceiros no Chrome funcionam como antes, sujeitos às configurações do usuário e às leis de privacidade.
Mas o problema não desapareceu
Seria um erro concluir que “voltou tudo ao normal”. Três fatores continuam limitando o uso de cookies de terceiros:
Safari e Firefox
O Safari, com o Intelligent Tracking Prevention, e o Firefox, com a proteção aprimorada contra rastreamento, bloqueiam cookies de terceiros por padrão há anos. Em sites com muito tráfego de iPhone, uma parte relevante da audiência já é “sem cookies”.
Aplicativos e iOS
Em apps, o App Tracking Transparency da Apple exige permissão do usuário para rastreamento entre apps, reduzindo o identificador de publicidade disponível.
Leis de privacidade
A LGPD no Brasil e o GDPR na Europa exigem base legal e, em muitos casos, consentimento para cookies de publicidade. Um banner de consentimento bem implementado continua obrigatório, independentemente do que o Chrome faça.
O que isso significa para a receita
Impressões com identificação tendem a receber lances maiores, porque o comprador consegue segmentar e medir. Com o Chrome mantendo os cookies, o risco de uma queda brusca de CPM no navegador mais usado desapareceu no curto prazo. Mas a diferença de valor entre usuários identificados e não identificados continua, e ela é maior em tráfego de Safari e de apps.
A estratégia que eu recomendo para publishers
1. Construa dados próprios
Newsletter, cadastro, área de membros, comunidades e preferências declaradas são ativos que não dependem de navegador. Eu detalho isso no guia de first-party data, que faz parte desta série.
2. Organize o conteúdo por contexto
A segmentação contextual, baseada no tema da página, voltou a ganhar valor. Categorias bem definidas, taxonomia clara e conteúdo de nicho valorizam o inventário sem precisar de dados pessoais.
3. Use soluções de identidade com consentimento
IDs baseados em e-mail com consentimento, como os usados no ecossistema programático, ajudam a manter o endereçamento quando o cookie não está disponível.
4. Mantenha o consentimento em dia
Uma plataforma de gestão de consentimento (CMP) certificada e configurada corretamente protege a receita e evita problemas legais. Requisitos de consentimento também são exigidos pelo Google para veicular anúncios personalizados em vários mercados.
5. Aumente a concorrência no leilão
Header bidding, Open Bidding e demanda de varejo, como a do Mercado Ads, elevam o valor do inventário mesmo quando a impressão tem pouca identificação.
E os anunciantes?
Do lado de quem compra, o recado é o mesmo: medição baseada em dados próprios, conversões enviadas pelo servidor (como as APIs de conversão das plataformas), modelagem e testes de incrementalidade. Quanto menos o mercado depender de um único identificador, mais estável ele fica.
Perguntas frequentes
Não há previsão. O Google desistiu da eliminação em 2024, abandonou o aviso de escolha em 2025 e aposentou a maior parte das APIs do Privacy Sandbox em outubro de 2025.
Um conjunto de tecnologias criadas pelo Google para permitir publicidade com mais privacidade sem cookies de terceiros, como Topics e Protected Audience. A maior parte delas foi aposentada.
Sim. Os dois bloqueiam cookies de terceiros por padrão há anos, então parte da audiência de qualquer site já navega sem eles.
Sim. A LGPD e outras leis exigem base legal e, em muitos casos, consentimento para cookies de publicidade, independentemente da decisão do Google.
Investir em dados próprios, segmentação contextual, soluções de identidade com consentimento, uma CMP bem configurada e mais concorrência no leilão.
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